
Downton Abbey, de cuja segunda série se aguarda cá em casa o DVD com a expectativa típica da criadagem mais intrometida, não é uma grande “série de época”, como por aí se diz. Essa é uma descrição insuficiente. O que dela faz uma obra-prima absoluta é ser um exercício de sugestão subliminar, irrepreensível, sobre o fim de uma época e a insinuação de uma outra, incompreendida e temida. O assunto de Downton Abbey é essa linha de sombra que se percorre sentindo o chão a fugir-nos dos pés e não percebendo onde se irá cair.
As duas congéneres aparentes são Mad Men (por contemporaneidade) e Brideshead Revisited (por semelhança estética): na primeira, o momento disruptivo é a revolução cultural do anos 60; na segunda, a Guerra de 39-44 (se bem que em Brideshead a disrupção que interessa acontece na pequena narrativa de Charles Ryder). Sendo o plano de Downton Abbey a I Guerra Mundial, e o fim do modo de vida que ela provocou, o congénere óbvio é The Shooting Party - o romance de Isabel Colegate, de 1980, filmado em 1985 por Alan Bridges.
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