Contra Mundum

Francisco
Mendes da Silva

colourthysoul:

John Henry Twachtman - Sailing in the mist

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John Henry Twachtman - Sailing in the mist

Downing St., 1980

M. Thatcher: Oh, Dr. Larkin, I am a great admirer of your poems. 

P. Larkin: Quote me a line, then. 

M. Thatcher: All the unhurried day, your mind lay open like a drawer of knives.

“I checked with the V&A”

Antes de os jornais, na sua imprevidente obsolescência, terem sido apanhados pela tecnologia, a minha solidariedade para com os jornalistas era apenas um exercício cínico, nunca sobre quaisquer angústias proletárias, apenas por causa das dificuldades glamorosas - a sobrevivência à base de químicos, os prazos impossíveis, os editores obsessivos. Era uma solidariedade para quem dela não precisa, em boa verdade. Mas vejam o caso de Julian Barnes, durante os seus anos na New Yorker (1990-1995), que o próprio conta no prefácio da colectânea dos respectivos textos.

Writing for The New Yorker means, famously, being edited by The New Yorker: an immensely civilized, attentive and beneficial process which tends to drive you crazy. It begins with the department known, not always affectionately, as the “style police.” These are the stern puritans who look at one of your sentences and instead of seeing, as you do, a joyful fusion of truth, beauty, rhythm, and wit, discover only a doltish wreckage of capsized grammar. Silently, they do their best to protect you from yourself. You emit muted gargles of protest and attempt to restore your original text. A new set of proofs arrives, and occasionally you will have been graciously permitted a single laxity; but if so, you will also find that a further grammatical delinquency has been corrected. The fact that you never get to talk to the style police, while they retain the power of intervention in your text at any time, makes them seem the more menacing. 

Haverá eternamente uma concavidade no meu coração libertário para as vítimas dos picuinhas. Um picuinhas é sempre um inspector. O que não quer dizer que não reserve alguma simpatia pelo rigor snob da New Yorker, confrontado que sou diariamente com o antípode desleixo de muita da edição portuguesa, esse alfobre de erros gramaticais e ortográficos, de fraseologias extravagantes e exageros retóricos, de generalizações inconsequentes e inverificadas.

Reparem:

When I interviewed Tony Blair at the House of Commons, I was impressed by the elegant door-hinges of the Shadow Cabinet room. My Pevsner guide told me they were attributable to Pugin, or rather, ‘Augustus W. N. Pugin’ (…). Half-wondering if the department of verification would swallow the phrase ‘It can be safely be said’, I ascribed the hinges to ‘Augustus Pugin’ in my copy and awaited the fact-checker’s call on this and related topics. ‘Could we leave out “Augustus” so as not to confuse him with his father?’ was the first shot. Sure, no problem: I’d only put ‘Augustus Pugin’ becaused I fancied American style prefers ‘John Milton’ to ‘Milton’ (the truth also is that I didn’t know Pugin had a father, let alone that my supressing  the initials would cause genealogical havoc). Then I waited for the next question. It didn’t come. Semi-satirically, I asked, ‘You are happy that the hinges are by Pugin?’ ‘Oh yes’, came the reply, ‘I checked with the V&A.’

Barnes colaborou com a New Yorker durante os consulados de Bob Gottlieb e Tina Brown. O editor que lhe fazia a vida negra era Charles McGrath:

Chip picked on an adjective I’d used, one of those words like, say, crepuscular or inspissated, which don’t form part of your core vocabulary but which you reach for from time to time. ‘You’ve used crepuscular before’, said Chip. ‘I don’t think so’, I replied. ‘Yes, I think you have’, he said. ‘I’m fairly sure I haven’t’, I replied, beggining to feel a little irritated - hell, I knew this piece inside out. ‘I’m pretty sure you have’, Chip responded - and I could hear his tone hardening too, as if he was really going to dig in on this one. ‘Well’, I said rather snappily, ‘which galley did I use it on then?’ ‘Oh’, said Chip, ‘I don’t mean this piece. No, it was a couple of pieces back. I’ll look it up’. He did. I’d used the word some nine months previously. I naturally excised it now.

And that, if anyone wants to know, is editing.

Subscrevo por baixo.

Haim.

A geração indie já tem as suas Destiny’s Child.

Enoch Powell tinha razão

De todos os modos primitivos em que ainda se desenvolve o debate político em Portugal, existem dois que me suscitam um particular desalento: o quase completo desdém pelos discursos escritos e – sem que daqui resulte qualquer contradição – a inabilidade para o “soundbite”. Descontando a prosápia inócua que vai sendo proferida, compilada e publicada por algumas cúpulas senatoriais sem grandes responsabilidades de escolha política ou preocupações de combate e ruptura, o debate faz-se de navegações à vista e reacções circunstanciais, sem nenhum respeito pela organização das ideias, pela coerência das posições, pela sedimentação programática. Daí que, em vez de exigência substantiva e esmero estilístico, tenhamos de suportar os mais lamentáveis malabarismos oratórios, nunca para lá da metáfora deslocada, da piada de caserna ou do recurso preguiçoso à gíria futebolística. Isto para não falar de erudição, que – à parte da eventual citação dos “grandes estadistas” canónicos (um Churchill aqui, um Kennedy ali) – é coisa que de todo inexiste.

Nos países onde a democracia é mais civilizada e sofisticada, os políticos sérios (e/ou vaidosos) raramente perdem de vista a posteridade e uma espécie de prestação de contas inter-geracional. Mas claro que, se a História não pode se não agradecer o cuidado, nem sempre deixar rasto do que se vai dizendo pode ser uma boa ideia. Que o diga Enoch Powell, o gloriosamente desbocado conservador inglês, o caso mais espectacular de morte política de que há memória, de cujo nascimento passaram no Sábado cem anos.

Falecido em 1998 - e afastado da vida pública desde 1987 -, continua a assombrar a política da Ilha. Em 2007, David Cameron retirou a confiança política ao candidato parlamentar Nigel Hastilow, precisamente por este, no meio da fervilhante discussão em torno da imigração que do mundo inteiro entra diariamente no Reino Unido, ter lembrado o infame. Powell não é mais reconhecido pela sua longa e profícua carreira política, pela poesia que publicou, pela participação na Segunda Grande Guerra ou pelo percurso académico na área da linguística. Para imensa desgraça da sua posteridade, os novos registam-lhe apenas um discurso – escrito e democraticamente distribuído. Em 1967, em Birmingham, Enoch Powell tratou o tema do alto da sua formação classicista. Depois de ilustrar com uma diatribe que lhe teria sido endereçada por um constituinte de Wolverhampton Sudoeste (seguramente um paraíso de concórdia e diálogo entre civilizações), embrulhou a prelecção com uma alusão a Virgílio e a uma profecia da Eneida: Guerras, terríveis guerras, e o Tibre espumando com muito sangue (“Bella, horrida bella. Et Thybrim multo spumantem sanguine cerno”). Não terá sido o “soundbite” mais avisado, mas foi praticamente tudo o que ficou da personagem. De tal modo que a extrema-direita inglesa fez dele símbolo do seu racismo, passeando-se hoje por aí com os dizeres “Enoch was right”.    

Em boa verdade, a leitura do discurso atenua a excitação, mas isso pouco importa. Enoch Powell foi muito mais do que isso. Foi ele, por exemplo, quem ainda na década de cinquenta previu e defendeu o monetarismo que trinta anos depois se transformaria em lugar-comum e quem, contrariando mas influenciado em igual medida pelas proposições ideológicas que Hayek ia tecendo, cumpriu a quimera de fazer o romântico conservadorismo aristocrata enamorar-se com o liberalismo económico. Hayek deplorou a fobia de mudança dos conservadores e declarou-se atraído pela “destruição criativa” da fatalidade espontânea (leia-se “The Constitution of Liberty”) - só a liberdade e o individualismo tornam impossíveis as ditaduras, disse-nos o austríaco; e se isso implica necessariamente um determinado caos na vida pública, então que este seja bem vindo. Powell, por seu lado, foi sempre um conservador explícito, daqueles que desbragadamente exaltam a continuidade das tradições. Mas foi também um indefectível da lógica descentralizada do mercado. Num outro discurso, também em Wolverhmpton: “Escuto as pessoas queixarem-se dos preços dos terrenos para a construção de casas. Mas os preços apenas dizem a verdade acerca das consequências dos nosso próprios actos. O preço que um artigo atinge em certas circunstâncias é o seu valor nessas mesmas circunstâncias. Lamentar os preços e ameaçar controlá-los equivale ao comportamento da criança que destrói o relógio por desejar que fosse outra hora do dia”. Ou seja, o mercado livre - permitindo que a mudança ocorra organicamente e sem impulsos artificiais – é o mecanismo conservador por excelência.

Os termos coloquiais e lapidares com que Enoch Powell formulou o conservadorismo-liberal moderno foram essenciais à ascensão intelectual do thatcherismo e, por essa via, da ortodoxia anglo-saxónica que há quatro décadas faz salivar a direita em todo o mundo. Existem no Século XX pensadores políticos bem mais relevantes, mas não muitos políticos pensadores com um corpo doutrinal tão presciente e influente. Em muito do que escreveu, disse e publicou, Enoch Powell teve e antecipou a razão. Faríamos bem se o resgatássemos das más companhias.

(adaptado de um texto publicado na Atlântico, em 2007) 

jarl-ulfric:

Today (16/06/2012) marks the 100th birthday of Enoch Powell.

jarl-ulfric:

Today (16/06/2012) marks the 100th birthday of Enoch Powell.

“For a politician to complain about the press is like a ship’s captain complaining about the sea.”

—   Enoch Powell 1912-98

(Source: suggestionsonapostcard)

Here I am, in a cardigan sweater, sitting here in Newport, Rhode Island, livin’ la vida loca”. Bill Murray, distante da sobriedade, apresenta-nos os cenários do último de Wes Anderson.

(Source: howtotalktogirlsatparties, via bowtiedandstarryeyed)

Uma proposta modesta

A actualidade é perfeita para que a televisão portuguesa importe o último fôlego da ficção da BBC. Escrita por Abi Morgan (sim, essa, a dramaturga que é também a argumentista de Shame, Brick Lane e The Iron Lady), The Hour decorre nos anos 50 e é a representação dos bastidores de um programa semanal de “grande informação” da BBC - uma novidade e excentricidade no tempo dos newsreels bem comportados. A série lida com uma morte por explicar, agentes da URSS infiltrados no topo da estação e dialécticas sexuais de presença constante e geometria variável. No entanto, em plena Guerra Fria e crise de Suez, a história é acima de tudo sobre as tensões entre a liberdade de imprensa e a razão de Estado, os jornalistas e a direcção, esta e o Governo, a verdade, a justiça e a democracia.  

A BBC quis com The Hour recuperar a glória da sua ficção (perdida para o cabo norte-americano e para as concorrentes britânicas, desde logo a ITV, que produz Downton Abbey). Conseguiu? Sim e não. Sim, porque a série não desonra a história da instituição e combina com competência as modas do dia: o ambiente retro como em Mad Men, os diálogos velozes como no livro de estilo Aaron Sorkin (West Wing, Studio 60 on the Sunset Strip, The Social Network) - que pelos vistos também irá em breve estrear uma série sobre os bastidores de um canal de notícias - e até alguma da soturnidade da última adaptação de Tinker Tailor Soldier Spy. Mas não, porque - com crise ou sem crise - não é com seis episódios que se readquire a lealdade das massas (uma nova temporada vem a caminho).

Seja como for, é admirável que a BBC, em vez de ficcionar um canal, assuma e confronte a sua própria história. É algo que só numa sociedade antiga, contínua e livre poderia acontecer. Alguém imagina a RTP a filmar os seus fantasmas? Claro que não. Pelo menos, já seria um bom serviço que passasse The Hour. É pedir autorização ao Dr. Relvas.


RIP MCA

RIP MCA

(Source: awesome-i-fucking-blogged-that)

Paul Lafargue: jornalista revolucionário, escritor marxista, genro do próprio Karl.
E um verdadeiro conservador.

Paul Lafargue: jornalista revolucionário, escritor marxista, genro do próprio Karl.

E um verdadeiro conservador.

Cidade Maravilhosa

Boris Johnson foi ontem reeleito Mayor de Londres, depois de uma interminável contagem que obrigou a que os resultados oficiais tivessem sido entregues “even later than one of Boris’s columns” (palavras de Paul Goodman, ex-deputado Tory e ex-colega de Boris do Telegraph). É um facto extraordinário, nesta época de opressão uniformizadora em que apenas parecem ter sucesso os políticos com a espessura intelectual da massa folhada. Um excêntrico como BoJo só podia mesmo ter sido eleito em Londres, a cidade onde o individualismo é mais considerado e a extravagância não é um insulto.

Em 2006, escrevi para a Atlântico o texto aqui em baixo. Não imaginava que Boris se fosse candidatar a Londres, muito menos que vencesse, muito menos ainda que vencesse por duas vezes. Lido à distância de seis anos, parece-me um perfil demasiado agarrado ao tempo em que foi escrito, mas há ali na parte final um tom levemente premonitório, involuntário, que me apetece a partir de agora cultivar, como aqueles nefelibatas bem-intencionados que o querem ver um dia em Downing Street.

***

“O imaginário político colectivo reserva um pedestal especial para os mais destemidos heróis da subversão. Mas a luta pela liberdade de expressão, actualmente o tema du jour, nem sempre avançou apenas pelos esforços hercúleos de agentes subterrâneos e perseguidos pela situação. A Inglaterra, pátria da imprensa plural e de outras manifestações da Liberdade, tem para ensinar tanto quanto por que responder. Na era Tudor do Século XVI, a proliferação de informação pública foi amplamente dissuadida pelo pulso de ferro de monarcas como Henrique VIII ou Isabel I e na centúria seguinte coube a Carlos II, não propriamente um mestre da subtileza, abolir todos os jornais. Mesmo na velha Albion, a história do jornalismo fez-se da censura e da opressão.

No entanto, a limitação feroz do tráfico de ideias criou o espaço para que, do outro lado da tensão dialéctica, nascesse o prolífero mercado do humor que mais tarde seria exportação lucrativa das ilhas. No início do Século XVIII, Jonathan Swift publicava “A Modest Proposal”, ensaio onde defendia que se comessem as crianças irlandesas como paliativo para o excesso de população e para a falta de comida na Ilha Esmeralda. O cronista irlandês é hoje tido na sua importância fundadora, enquanto o primeiro modelo moderno dessa tradição universal da sátira jornalística política. Mas o seu exemplo é muito mais relevante do que isso. Além de cúmplice vincado do mainstream político que era seu objecto de trabalho diário (servira o diplomata Wiliam Temple e era director do “Examiner”, o braço publicado do antigo Partido Tory), Swift mantinha igualmente uma ligação próxima com a Igreja Anglicana. Porém, nunca essa posição foi constrangimento suficiente à sua liberdade de expressão.

Cerca de trezentos anos depois, a Inglaterra mostra-se agradecida pelo legado. É, por excelência, a terra da polémica, do mais desbragado debate público e na qual, mais do que em qualquer outro país do mundo, as opiniões são tomadas pelo seu valor facial, não pelos interesses, vaidades ou vinganças que possam querer ocultar. Em 16 de Outubro de 2004, a Spectator, secular revista-semanário-fétiche do conservadorismo e da escrita elegante, publicou um editorial sobre a onda de comoção instalada na sequência da morte do refém britânico Ken Bigley às mãos de terrorstas no Iraque, no qual, para além da condenção da depravidão e barbárie do acto, se teciam considerações sobre o espírito nacional de “vitimização vicária” e como essa reacção extrema (nunca tributada a nenhum dos soldados britânicos mortos ao serviço do país) se alimentava do facto de Bigley ser natural de Liverpool. A combinação de uma economia desafortunada com uma especial predilecção para o providencialismo estatal teria, segundo o texto, criado “uma peculiar e profundamente repulsiva mentalidade” nos liverpudlians, que se vêm, sempre que possível, como vítimas de tudo e de todos, insensíveis a qualquer possibilidade de culpa própria nos seus fracassos e cultivando “um sentimento tribal de ressentimento contra o resto da sociedade”. Por muito ofensivo que fosse já, o editorial não se ficava pela mera análise sobrevoada da psique colectiva da cidade, optando por comparações arriscadas (com a morte de Diana, Princesa de Gales), abrindo feridas antigas (a morte, em 1989, de cinquenta adeptos do Liverpool Football Club durante um jogo no estádio de Hillsborough e a recusa da cidade em aceitar a culpa dos fãs embriagados) e ponderando até sobre a prudência de Bigley (que fora expressamente desaconselhado pelo Foreign Office de ir tentar a sua sorte no Iraque).

Dificilmente um editorial terá sido mais inflamatório do que este. Mesmo não sendo o autor do mesmo (mais tarde o colega Simon Heffer revelou ter dado “uma mãozinha”), a responsabilidade pela sua defesa coube a Boris Johnson, jornalista profícuo e politicamente incorrecto, ex-aluno de Eton e do Balliol College de Oxford, estrela da televisão, deputado ciclo-mobilizado, dono da mais reconhecida franja loura rebelde da política britânica e, à altura, editor da Spectator e Ministro-Sombra do Partido Conservador para as Artes. Na sequência do linchamento público de Johnson, Michael Howard, então líder dos Tories, participou na comoção, dizendo do editorial que este era, de uma ponta à outra, “desprovido de sentido” e enviando o seu correlegionário numa peregrinação arrependida a Liverpool. Na sua subida a Merseyside, Johnson foi tudo menos apologético. Reforçou a tese contra o sentimentalismo irracional da Grã-Bretanha e, em directo num Fórum TSF lá do sítio, teve oportunidade de escutar um irmão de Ken Bigley brindá-lo com um “You’re a self-centered pompous twit! Get out of public life!”. Howard resistiu às pressões para o demitir, coisa que, no entanto, viria a fazer pouco depois, quando se descobriu que Johnson, homem casado e pai de quatro, teria mentido acerca de um relacionamento amoroso com Petronella Wyatt, a correspondente em Nova Iorque da Spectator.

A crise em redor do editorial sobre Bigley não é caso único no reportório polemista de Boris Johnson. Mas é, de longe, o mais exemplar. Johnson vive uma vida dúplice, de militante e deputado leal do Partido Conservador e, ao mesmo tempo, de jornalista empenhado na verdade. Nem todos são capazes deste contorcionismo ético e deontológico. É algo que exige um comprometimento incondicional com a liberdade individual e, se possível, a rara graciosodade de Swift e Boris. Em Portugal, terra de preconceitos e de regulações gerais, onde a opinião original é desmerecida e a política, a universidade e a intelectualidade vivem alegremente em mundos hermeticamente separados, mutuamente desdenhosas umas das outras, Boris Johnson seria ave rara a abater. Em Inglaterra, David Cameron, o novo líder Tory, repescou-o para seu Ministro-Sombra do Ensino Superior. Por razões de tempo - e só essas, como quis salientar no seu último editorial -, Boris deixou a direcção da Spectator em Dezembro último.  

Quando este texto for publicado, Boris Johnson poderá ter já sido eleito novo Reitor da Universidade de Edimburgo, cargo previamente ocupado por Gladstone, Churchill e Gordon Brown, numa candidatura que resultou da proposta de um número recorde de alunos. Em campanha recente, instado a pronunciar-se sobre a primeira “LGBT Awareness Week” da referida Universidade, Boris respondeu: “I am all in favour of raising awareness of these issues. No one ever went wrong by being aware, as Socrates probably said”. É assim, Boris Johnson. A responsabilidade só lhe faz bem”. 

Alex James (Blur).
nevver:

T.S. Eliot